Conversando com uma amiga ela
manifestou o receio de encontrar alguns amigos do tempo de faculdade. Disse que
lá no passado ela e esses amigos foram muito próximos, tinham muita história
para contar e muitas experiências compartilhadas. Só que o tempo foi passando e
os vínculos foram se desfazendo até que entre alguns nem mais havia contato há
anos. Eles terminaram a faculdade vinte anos atrás e estão planejando um
reencontro, no entanto ela teme o que vai encontrar.
Teme as pessoas que um dia amou e se
relacionou tão intimamente no passado, mas que agora são outras e não mais as
mesmas. São outras porque ninguém atravessa a passagem do tempo sem mudanças.
Muitas se deram bem, outras nem tanto. Muitas estão felizes, outras amargas.
Muitas perderam pessoas queridas, muitas podem ter perdido a saúde, enfim,
todas têm uma história e marcas que carregam. Essa amiga teme não reconhecer
mais seus amigos.
As coisas e as pessoas mudam e toda
a mudança sempre traz certa dose de insegurança. Não dá para se impedir as
mudanças, isso seria o mesmo que querer impedir a vida de acontecer. Agora, o
que essa amiga precisa fazer quando reencontrar seus amigos de faculdade é
aceitar as mudanças e reinventar a amizade que antes existia. Algumas, talvez,
não sejam possíveis, mas outras podem ser que sim. Reinventar a amizade implica
aceitar as mudanças que ocorreram e reconstruir os laços de amizade agora em
outra base. É quase como partir do zero, mas sabendo que existe uma história
conjunta e a força dessa história pode fazer toda a diferença.
Ficar com ansiedade nesses momentos
é natural. Seria estranho se não houvesse nenhuma carga de ansiedade. Mas
suportar a ansiedade permite, nesse caso, reencontrar os amigos e construir
algo novo e com outro sentido. Aqui embaixo está o vídeo de uma música de
Milton Nascimento Nada será como antes
que fala do reencontro. Reencontros causam alvoroço no coração, mas são experiências válidas e interessantes, mesmo que em alguns momentos doloridas.