segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Sem Consciência não há Vida Digna




            Existe o outubro rosa que alerta as mulheres sobre os perigos do câncer de mama bem como as incentiva a cuidar-se de maneira apropriada. Há o novembro azul que se atenta sobre o câncer de próstata, convocando os homens a serem mais conscientes com a própria saúde. São movimentos que visam chamar atenção sobre questões de saúde que podem e devem ser tratados para melhorar nossa qualidade de vida. Há agora o janeiro branco que coloca em cena a questão da saúde mental que, geralmente, é tão esquecida e relegada a segundo plano.
            Quando alguém quebra um braço ou perna todos reconhecem que se faz necessário cuidados adequados. Se alguém desenvolve tumor ninguém duvida que tratamentos apropriados e específicos são de extrema importância. Mas quando alguém aparece com algum distúrbio psicológico como depressão, ansiedade excessiva, compulsões, etc., não recebe um olhar compreensivo. Pelo contrário, é até capaz da pessoa que padece psicologicamente ser tratada como “sensível demais”, “fresca”, “com tempo livre de sobra” e por aí vai. O que se passa na dimensão da mente não é valorizado o tanto o quanto deveria.
            Essa desvalorização para com o sofrimento mental se deve ao fato de que não é algo que se confirma em algum exame de sangue, ultrassom ou raio x. É algo que reside no subjetivo e não no concreto. No entanto, mesmo sendo subjetivo tem consequências sérias e variadas, inclusive concretamente levando à doenças físicas ou até a acidentes e/ou tragédias. É um mal silencioso que, com frequência, é desconsiderado como algo menor e sem importância, mas que destrói a vida de muita gente. Tanto de quem sofre quanto quem está próximo de quem sofre. O janeiro branco é um alerta para chamar atenção para a nossa saúde mental.
            Como vocês podem ver não é muito conhecido. Talvez até a grande maioria de vocês que estão lendo esse texto nem fazia ideia de que existia o janeiro branco. Pudera! Ele não é divulgado com tanta pompa justamente porque ainda existe preconceito para com os distúrbios da mente. "É coisa de gente louca e sem nada melhor para fazer". Mas na verdade o sofrimento psicológico está em todas as camadas sociais, econômicas, gêneros e idades. Há inúmeros distúrbios e padecimentos que minam a vida, deixando-a empobrecida e intolerável. Que corrói os relacionamentos, destruindo-os. Que diminui as chances de crescimento, empacando os sujeitos em posições desconfortáveis. A coisa é séria e enquanto o olhar que temos para com nossa saúde mental não mudar pessoas e sociedades vão continuar sofrendo de muitos males desnecessários.
            Quando não cuidamos do nosso mundo interno adoecemos. É incrível o número de pessoas que cuidam de seus corpos, de suas dietas, de suas carreiras, de seu patrimônio e isso tudo é importante e vital, mas que se esquecem de cuidar da própria mente. Acabam tendo, externamente, uma vida confortável e cheia de recursos, mas vivem muito mal, cheio de impasses e sofrimentos. Não sabem ou não conseguem aproveitar os recursos que possuem e ficam em situações lamentáveis. Quem não se cuida e nem aprende a se responsabilizar pelas escolhas que faz ao longo da vida acaba por entrar em relações toxicas e abusivas, coloca-se em riscos desnecessários e leva uma vida cheia de insatisfações. Ao não prestarmos atenção à nossa mente vamos escolher mal, porque escolhemos de fato, mesmo que sem saber, correndo o risco de escolher aquilo que faz mal e adoece. Quem aprende a cuidar da própria saúde mental tem mais chances de escolher aquilo que lhe vai fazer bem e não vai entrar em qualquer barca furada.
            Sem desenvolver uma mente não há a menor chance de haver vida. Pelo menos não uma vida digna. 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Pergunta de Leitora - Intimidade



Apenas formamos um casal para os olhos do mundo. Já com o meu amante eu me sinto bem mais confortável. Ele também é casado e não se dá bem com a mulher. Temos historias de vida parecidas e talvez por isso nos entendemos tão bem. O problema é que nos encontramos pouco, numa base de duas vezes por semana e sempre em dias de semana. O resto do dia quando não estou trabalhando convivo com meu marido. Parece que somos como água e óleo, não combinamos e não temos nada parecidos. Meu amante não pensa em se separar e para dizer a verdade eu também não sei se ia querer ficar com meu amante numa base diária. Mas não entendo porque com ele me dou tão bem e com meu marido eu fico aborrecida e de saco cheio com muita facilidade. Meu marido não é e nem me foi mau, mas apenas fico enfadada com ele. O que será que é isso?

            Quantos casamentos mundo afora não vivem a mesma situação que a sua? Estão casados, mas não sabem por que estão casados. Encontram prazer fora do casamento, enquanto que dentro dele a vida fica aborrecida. Por não saberem se querem ficar juntos ou até mesmo se querem se separar continuam a viver para os olhos dos outros e de si mesmos. Agora, no seu caso, o que é interessante é que em nenhum momento você disse que não o amava e que queria se ver livre dessa situação. Talvez isso possa nos dar elementos para pensar.
            Será que o problema é o casamento e o seu marido ou isso tem mais a ver com o fato de que você e ele não sabem como estabelecer, verdadeiramente, uma relação de intimidade satisfatória? Parece-me, baseado apenas no pouco que você me disse em seu e-mail, que vocês até têm tempo juntos, porém não sabem como utilizá-lo. Você não sabe acessar o seu marido e nem ele a você. Por isso que fica tão enfadonho!
            Entretanto, com o seu amante a história é outra. Com ele você sente que as coisas fluem e que vocês se identificam. Contudo, você já pensou que por ter com ele poucos momentos isso não promove uma verdadeira relação de intimidade? Pelas horas com ele serem escassas e terem que ser escondidas faz com que vocês tirem o melhor proveito um do outro, que busquem o prazer. Um se encanta com o outro e não há tempo para discórdias e nem para deixar que um venha de fato a conhecer o outro. Vocês só conhecem o que há de melhor um no outro e nunca sobrou tempo para conhecerem o pior.
            Num casamento há a necessidade de se desenvolver e suportar uma relação de intimidade. Nem sempre é tudo flores no caminho de um casal. Eles têm mais tempo para irem se conhecendo e acessando o que há no outro: tanto as coisas boas como as coisas aborrecidas e desagradáveis. Há muita gente casada que tem amantes justamente porque não conseguem viver uma intimidade com seus cônjuges e não porque não os amam ou o casamento é inviável. A pergunta que você precisa se fazer é se você teme se relacionar numa base mais íntima. Só assim vai saber mais sobre o que lhe acontece.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O Processo da Cura




            Um grande e poderoso monarca, que sofria de terríveis sofrimentos em sua alma, mandou chamar um famoso curador. Chegado o curador o monarca ordenou que este o curasse de seus padecimentos. O curador então convidou o monarca a falar de suas dores, mas o monarca se irritou com isso e disse-lhe que não queria falar sobre o que se passava, mas queria ser curado sem ter que lidar com o que sentia. O curador pensou um bocado e disse que precisava sair do castelo para retornar com a solução. Após algumas horas o curador retornou com outro homem e disse ao monarca: “Eu pedi para que você falasse sobre o que lhe aflige e agita a sua alma porque isso me indicaria a natureza dos seus problemas para podermos curá-lo, mas você não quis conversa. Entretanto, só sei trabalhar assim, mas trouxe este homem que é um veterinário e ele cura seus pacientes sem que estes tenham que conversar. Faça bom proveito”

            É um grande engano crer que possamos nos livrar daquilo que nos perturba como se se tratasse de algum objeto que inutilizamos jogando na lata do lixo. Sentimentos e sofrimentos internos não são objetos concretos que podem ser destruídos ou arremessados para longe. Porém, são parte do nosso ser e para não mais sofrermos com eles é necessário transformá-los.
            A gente transforma aquilo que nos causa dor em nossas vidas através da mente, quando a gente passa a se encontrar de frente com nossos conteúdos para entender o que eles significam. A importância de se compreender o sentido de nossas dores é que elas dizem o que estamos fazendo de maneira ineficiente e que gera tanto custo. A doença mental é justamente isso; um alto custo de uma ineficiência na maneira que vivemos e nos relacionamos conosco e com o mundo.
            Falar sobre o que se passa no nosso mundo interno é a via que a psicanálise encontrou para desenvolvermos consciência na forma que vivemos. Por isso a psicanálise requer que o analisando seja ativo na sua cura e não passivo. Sem a participação do analisando não há jeito de se entender o que se passa e nem de procurar encontrar outros caminhos para que o sofrimento não seja mais uma condição. Biologicamente somos todos seres humanos, mas não é bem assim em termos simbólicos porque ser humano implica em se fazer humano. A gente só se torna humano quando participamos de nossas vidas e dores. Não há outra forma. 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Pergunta de Leitor - Escrevendo a Vida




Assistindo a série Breaking Bad eu vi um homem de meia idade levando uma vida medíocre e engolindo muitas humilhações. Depois de descobrir que tinha um câncer incurável e no máximo dois anos ainda, resolve mudar completamente de vida. Virou traficante de drogas, ganhou dinheiro como nunca e começou a fazer tudo o que antes não tinha coragem para fazer mas que sempre quis. Não tenho câncer, mas minha vida parece a dele antes dessa transformação. Por que não tenho coragem para viver? Será que preciso de uma doença fatal para mudar? Queria ser diferente, mas sou medíocre. No trabalho, na vida. Minha mulher me abandonou, meus filhos não ligam para mim. O que me acontece?


            Nessa série que você menciona o protagonista ao se dar conta que tinha o tempo contado começa a fazer muitas coisas. Antes ele se inibia, reprimia em tudo. Após o diagnóstico fatal decide romper com suas inibições e se joga completamente numa vida louca. A verdade é que ele se perverteu. Ao tornar-se traficante ele não estava vivendo de verdade, mas mostrando a revolta que sentia. Era mais ódio que qualquer transformação verdadeira. A mudança dele tinha mais a ver com a raiva e ressentimento que sentia em relação à vida e a ele mesmo.
            No entanto, por que você acredita que precisa de uma doença tão severa para transformar-se? Você parte do pressuposto de que uma doença seria razão suficiente para uma mudança. Mas não precisa disso na verdade. Você pode começar a se transformar agora.
            Quem te segura? Quem te aprisiona? Não há nada, provavelmente, que te impede de viver mais prazerosamente a vida. O que te impede é você mesmo. Sabe-se lá por que razão você não se autoriza a viver. Vira um espectador da vida e não protagonista da sua vida. Estar nessa posição só resultará em ressentimento, lamentações e sentimentos de baixa autoestima. Você não precisa de uma tragédia para começar a mudar a forma como vem vivendo.
            Quem sabe um primeiro passo não seja procurar por uma análise? Ao investigar os motivos que te fizeram acreditar que você tem que viver desse jeito insatisfatório poderá também encontrar saídas. Poderá se reinventar de maneira mais eficiente. O roteiro da série que é a sua vida ainda está sendo escrita. Que tal você aprender a se responsabilizar por isso? E em vez de Breaking Bad poderá ser Breaking Alive.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A mente e o Ano Novo




            O ano de 2017 chega perto do fim e o de 2018 aproxima-se do começo. Em si, trata-se apenas de uma mudança “artificial” criada pelos humanos para mudar o calendário. Os anos letivos dos cursos, a organização e planejamento das empresas, as temporadas dos programas de televisão, as eleições são todos regulados pela passagem dos anos. Na natureza não existe mudanças na folha do calendário, mas o que existe são as estações do ano chegando e indo mostrando que mais um ciclo termina e começa. Todavia, nossas vidas, do nascimento à morte, são medidas em anos e por isso contamos a nossa idade. O ano mede a duração de tempo que vivemos e quanto ainda podemos viver.
            Entretanto, possuir muitos anos de vida não significa, realmente, que se viveu de fato. Há uma diferença gritante entre viver e acumular idade. Há pessoas que existem há dezenas de anos, mas ainda estão à espera de viver a vida e há outras que não duraram muitos anos, mas que viveram em intensidade e profundidade tudo o que podiam. Alguns se assustam com a idade que têm e se perguntam aonde foram parar todos os anos que já contaram. Sentem-se roubados, como se a vida roubasse o tempo e o fizesse passar muito depressa. Podemos, porém, pensar que a vida não roubou tempo mas que ele não foi aproveitado devidamente.
            No fim do ano são muitas as pessoas que se questionam sobre o que conseguiram, sobre o que acumularam e conquistaram. Sobre se arrumou um namorado ou namorada, se compraram aquela casa espetacular, se adquiriram o último modelo de celular, etc. Nas festas de fim de ano as comparações com os demais familiares e amigos são cruéis. Cada um avaliando como foi o ano do outro e o quanto o outro, aparentemente, se deu melhor. Até a felicidade do outro é quantificada e nos sentimos fracassados quando achamos que alguém foi muito mais feliz que nós.
            São poucas as pessoas, no entanto, que se indagam sobre se viveram bem, sobre a qualidade das experiências e relacionamentos que puderam usufruir ao longo do ano. Se a passagem do ano pudesse ser um ponto onde refletíssemos sobre o que vivemos de fato as festas de fim de ano seriam muito agradáveis e não tão cheias de dissabor e dor. Quando a gente pode olhar com gratidão para o que vivemos ficamos abertos ao que ainda podemos viver, ao que o desconhecido ainda pode trazer e nos surpreender. Agora, se medimos a mudança no calendário baseado no que acumulamos ficamos apenas atentos ao que não temos, ao que nos falta e isso empobrece a vida.
            Escolher como vamos viver a passagem de mais um ano é fundamental. Mas escolher requer consciência. Quem escolhe mal ou errado é porque está inconsciente dos valores para a vida. Coloca os valores em lugares equivocados e espera encontrar neles o que eles não podem jamais oferecer. Assim muita gente vive, ou melhor, sobrevive. Sobreviver não é o mesmo que viver e confundir um com o outro é reduzir muito as possibilidades que temos.
            Obviamente que há adversidades nessa vida, dores que nos machucam severamente, mas mesmo com todos esses percalços o que ainda podemos desfrutar? O que podemos viver? Afinal, quem disse que a vida só vale a pena se não houver dificuldade e sofrimento nela? Como se isso fosse possível!
            Que o ano que se aproxima venha a ser usado para criarmos uma consciência de como melhor viver, de como sermos mais eficientes em nossos acordos ao longo da vida. Sempre teremos que fazer acordos com nossas dores, angústias e adversidades que impedem melhor apreciarmos a vida, mas a forma que fazemos esses acordos pode fazer com que paguemos muito alto ou um preço justo. Que a melhor resolução para 2018 seja vivermos verdadeiramente melhor. Um feliz 2018!


O Blog retornará com suas publicações dia 12 de Janeiro de 2018.




segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Objetos Mágicos




            Há inúmeras pessoas que estão sempre atrás de objetos mágicos que vão, milagrosamente, resolver suas vidas e trazer felicidade sem fim. Seja um namorado(a), seja fama ou fortuna, seja um filho ou até mesmo poder por si só, os objetos mágicos podem ser qualquer coisa que se encontra externamente. O objeto mágico para a psicanálise chama-se objeto idealizado.
            Tudo aquilo que é idealizado foi investido afetivamente e serve para lidarmos com a sensação de desamparo que todos sentimos. No sentimento de desamparo nos sentimos pequenos e insignificantes bem como impotentes para enfrentar a vida e suas adversidades. Acreditamos, como crianças, que se tivéssemos isso ou aquilo ou até se fossemos assim ou assado, nos livraríamos do desamparo. Pegamos uma ideia do que achamos que seria a solução e a investimos maciçamente. O problema é que o objeto idealizado é uma ilusão.
            A criança lida com a vida criando ilusões que mitigam seu sofrimento. São os super heróis ou armas mágicas e poderosas que passam a ser desejadas como forma de fazer frente à dor da vida. Com o tempo, e se tudo for favorável, os objetos idealizados vão perdendo espaço e a mente vai tendo mais presença. A mente não é mágica, mas é o melhor recurso que dispomos. E quanto mais amadurecemos mais nossa mente torna-se nosso bem mais precioso. Não necessitamos dos objetos idealizados porque contamos com algo mais verdadeiro.
            Todavia, nem sempre crescemos apropriadamente e os objetos idealizados persistem no nosso psiquismo. Contudo, ao invés de heróis e objetos mágicos colocamos no lugar “coisas de adultos” como fama, dinheiro, poder, paixão, etc. Claro que todas essas coisas são vitais para a sobrevivência, porém quando elas passam a ser buscadas como se fosse tudo o que importasse elas tornaram-se idealizadas e por isso mesmo ilusórias. O que mais há é gente perseguindo ilusões e perdendo tempo considerável. Em vez de se desenvolver continuam como crianças buscando mágicas alucinatórias. 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Pergunta de Leitora - Sexo é um Direito




Sou uma mulher independente financeiramente e bem resolvida. Pelo menos eu acho. Só que na sexualidade não sou nada resolvida. Tenho 31 anos e nunca consegui ter um orgasmo até hoje. Nem sei se é possível eu ter orgasmos. Quando vou para a cama com um homem é mais para agradá-lo e fazer com que ele se interesse por mim do que por eu querer mesmo. É mais para ter o homem aos meus pés, sob meu controle. Eu queria gostar de sexo, mas não consigo. Quando um homem me abraça eu me sinto presa e enrijecida. Nunca sofri nenhum trauma, então não sei explicar de onde isso vem. A única coisa que eu penso é que como sou uma pessoa dedicada a espiritualidade pode ser que minhas meditações vêm tirando minha sexualidade. Isso é possível?

            É grande o número de pessoas que são bem resolvidas intelectualmente e profissionalmente, mas não o são em sua sexualidade. A sexualidade está muito ligada à vida emocional. O que nos permite pensar que uma pessoa sem estar bem com sua sexualidade é porque não está bem emocionalmente e com seu lado mais pessoal e geralmente oculto. Nesses momentos de nada adianta ter uma vida intelectual desenvolvida porque não haverá uma “pessoa” de verdade para usufruir da vida. Precisamos sempre nos voltar ao nosso lado emocional uma hora ou outra.
            Há vezes que o sexo, para as mulheres, é encarado como se fosse um trunfo que elas pudessem usar para conquistar os homens e agradá-los. Usa-se do sexo para conseguir a atenção de um homem e não como mais uma parte importante da vida psíquica para se ter uma vida plena. Quando o sexo é vivido desta maneira ele se torna uma arma e não mais um direito. A sexualidade fica, então, desconhecida e subutilizada.
            Também não sei explicar de onde vem esse seu bloqueio com o sexo, pois para isso necessita-se de mais informações. Agora, o que podemos pensar é que sexo é entrega emocional em grau profundo e que essa entrega nunca é fácil e não vem de graça, mas é conquistada. Entregar-se à própria sexualidade implica em abandonar os amores da infância e tornar-se adulto. Isso é difícil porque se por um lado desejamos crescer e nos entregar às novidades, por outro lidar com o medo do desconhecido traz angústias e ansiedades que não são fáceis de serem toleradas. Daí, para não ter que suportar o que lhe é despertado quando alguém te abraça e te toca você fica enrijecida e congelada e perde uma parte importante da vida.
            Não é a meditação nem o yoga que te priva da sexualidade, mas provavelmente o seu próprio medo. Que tal procurar por uma análise? Um lugar onde você possa ir criando uma pessoa adulta que não mais precise abdicar da sexualidade adulta? Sei que dá medo, afinal, crescer é sempre aterrorizador, mas chega uma hora que mais aterrorizador é ficar numa posição onde a vida não pode ser vivida plenamente. Chega um momento que não basta crescer apenas intelectualmente, mas através das próprias experiências de vida.