segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A cruz de cada um


            Vi uma animação que circula na internet onde várias pessoas carregam cruzes enormes e pesadas. Uma das pessoas olha para cima e diz a Deus que estava tão pesada a sua cruz que pensou então em cortá-la. Pegou um serrote e tirou um bom pedaço. Depois de andar mais um pouco resolveu cortar mais ainda, pois o incômodo em carrega-la ainda era grande. Enquanto muitos dos outros ao redor iam carregando suas imensas cruzes essa pessoa transformou a sua em algo bem pequeno e de fácil manejo. Aí o grupo chegou a um abismo e para conseguirem passar para o outro lado aprenderam que tinham que usar suas longas e pesadas cruzes como pontes. Aquela pessoa que cortou a sua cruz não a tinha em tamanho suficiente para lhe ser útil e ficou para trás sem mais sair do lugar.
            Apesar desse vídeo ter uma moral religiosa podemos pensá-lo sob uma perspectiva psicanalítica de como vivemos nossas vidas. Carregar cruzes no decorrer de nossas vidas nada mais é do que conseguirmos tolerar nossas frustrações de maneira eficiente e de forma que nos fortalecemos. Não é fácil mesmo dar conta de nossa vida mental e frequentemente sentimos que as coisas que precisamos lidar são por demais pesadas e inúteis. Queremos “cortar” nossos problemas sem tem que pensar sobre eles, mas isso no fim sempre se revela um mau negócio.
            Claro que não precisamos abraçar e agarrar nossos problemas de forma indiscriminada. Isso seria masoquismo. Entretanto, o que não dá é para evitarmos lidar com aquilo que temos e que nos causa certo sofrimento. Quando fugimos de nossos problemas pensamos, de início, que estamos sendo muito espertos, porém ao fazermos isso perdemos oportunidades para nos desenvolvermos e futuramente atravessarmos mais facilmente as coisas difíceis. Se as cruzes em nossas vidas, contudo, forem utilizadas como instrumentos estaremos bem mais preparados.
            A nossa primeira tendência quando nos deparamos com o que nos faz sofrer é querer fugir da dor. Mas há dores que não temos como escapar se não corremos riscos de ficarmos parados, já que amputamos nossos instrumentos internos, cortamos tudo aquilo que pode nos fortalecer. Para a vida mental não há atalhos e insistir nisso é um risco muito grande de não crescermos. A verdade é que ao fugirmos dos nossos problemas não seremos espertos, mas medrosos de encararmos o que necessitamos.

2 comentários:

  1. Boa tarde, sou paciente da Dra. Marcia Menezes de Apucarana, poderia me passar o end do consultório e tel? Grata e no aguardo.

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  2. Bom dia Fernanda

    Telefone do meu consultório: (43) 3025 3545
    Rua Pará, 1531, sala 401 - Centro Londrina

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