sexta-feira, 4 de abril de 2014

Pergunta de Leitora - Devorada pelo medo


Não sei o que me acontece. Tenho medo de estar ficando louca. Tenho 36 anos e sou casada há 10. Amo meu marido e ele é quase tudo para mim. Não temos filhos. O que me acontece é que morro de medo de vir a perdê-lo. Tenho muito medo de que ele morra e eu fique sozinha e sem ninguém. Todos os dias me vem esse terror e já teve noites que acordei só para me certificar de que ele ainda estava vivo. Ele é jovem e saudável mas a vida para ser tão incerta que tenho medo de perder o que mais amo. O que faço? Como controlo isso?

            Ao temer a perda você sofre todos os dias, porém o sofrimento é causado pelo temor da perda e não pela perda em si. Faz do temor a sua infelicidade e torna a sua vida miserável. Sente que está enlouquecendo, ou seja, perdendo a si mesma e sente que é necessário mudar essa situação.
            Para Sêneca, filósofo e escritor romano do primeiro século D.C., temer a perda e perder é a mesma coisa. Ele escreveu:  Não há tragédia maior do que alguém preocupado com o futuro, infeliz antes da infelicidade e permanentemente angustiado diante da idéia de não poder conservar até o fim o que ama. Nunca saberá do repouso, e na ansiedade do futuro, perderá o presente que poderia gozar. Esse parece ser o seu caso.
            O problema de viver desse jeito é que você deixa de viver o presente e passa a tentar viver um tempo que não é o seu. Você tenta controlar o futuro para que ele não te traga nenhuma frustração. Só que esse futuro imaginado é fruto da ilusão e não da realidade. Você só pode viver a realidade e lidar com aquilo que é possível, caso contrário sofre pela ilusão.
            Falta-lhe decifrar o seu inconsciente e entender porque vive o presente como se já tivesse perdido o seu marido e porque você se subtrai do seu tempo. Inconscientemente há uma razão para essa fantasia existir e ao compreendê-la poderá dar a ela outro desfecho. Na análise o inconsciente se revela e assim poderá se livrar da repetição que te prende e poderá viver de maneira melhor. O inconsciente é tal como a esfinge da mitologia que quando não é decifrada devora o interlocutor. Para não mais ser devorada pelo sofrimento se faz necessário decifrar a razão do sofrimento.

Um comentário:

  1. Patricia Cortela4 de abril de 2014 03:37

    Oi Silvio! Parabéns pelas palavras! Muito pertinente! Abraços!

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