sexta-feira, 15 de julho de 2011

Pergunta de Leitora -Inseguranças


Sou mão de uma moça e de um rapaz. Meus filhos já trabalham e ganham a vida e sinto que eles gostam muito de mim. Na verdade eles não precisam mais de mim. Só que eu tenho muito medo que algo aconteça com eles. Eles saem de noite e sabemos como é tudo perigoso e eu fico pensando que algo muito ruim pode acontecer a eles. Na verdade me vem cenas na cabeça de que eles estão sendo assaltados, violentados e que eu preciso ficar alerta para cuidar deles quando eles precisarem. Queria ser mais tranqüila em relação aos meus filhos, mas eles são tudo o que eu tenho na vida e ficaria arrasada se algo os tirasse de mim.  Será que é normal me preocupar tanto?

            Os filhos crescem e vão cuidar de suas vidas. É um processo natural que acontece ou que deveria acontecer. Será que você não está se ressentindo pelo fato de seus filhos estarem cada vez mais independentes de você e isso lhe faz se sentir com menos valor?
            Digo isto porque em seu email você diz que eles são tudo o que tem na vida e ficaria arrasada caso algo acontecesse a eles. É como se você estivesse com muito medo de se ver sem eles e sente que isso já está acontecendo. É esperado que você sinta uma perda nessa fase de sua vida. Antes o relacionamento com seus filhos era um e agora as coisas mudaram, mas não significa em absoluto de que os perdeu para sempre. É uma questão de dar tempo para que você possa se sentir mais confortável e segura nesse novo relacionamento com filhos adultos.
            Agora é importante você ter seus afazeres e interesses e não se ver apenas como mãe. Afinal você é mais do que uma mãe. Tem sua vida e personalidade e deve investir em coisas que lhe dão satisfação. É uma fase que você pode usar para vir a se conhecer mais e com isso expandir seus horizontes. Passando mais tempo investindo em você mesma pode lhe ajudar a não ficar tão somente focada nos seus filhos e deixá-los seguir a vida tranquilamente sabendo que você está bem.
            E se coisas boas ficaram no relacionamento entre vocês não há razão para temer que eles venham a esquecê-la. Nesse caso os vínculos são fortes e seus filhos sempre terão em mente a boa mãe que você é e vão sempre se fazer presentes, mesmo que de outra maneira. O que você não pode é desejar que eles sejam dependentes, como crianças, para sempre.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Pensamento


"Nada é permanente nesse mundo. Nem mesmo os nossos problemas.”

Charles Chaplin


            Por isso não devemos nos identificar demasiadamente com nossos problemas. Eles existem e isto é um fato, mas não quer dizer que devemos nos apegar a eles. Somos muitos maiores que nossos problemas e devemos ter isso sempre em mente.
            Não acreditar nisso é a mesma coisa que dar mais forças para os problemas e se enfraquecer. Tudo na vida passa e se soubermos como tirar aprendizagens das experiências, mesmos as ruins, a gente se enriquece cada vez mais e expande os horizontes internos.

sábado, 9 de julho de 2011

Pergunta de Leitor - Dançando


Sempre quis ter uma carreira ligada à dança. Meu pai é médico e ele não admite que eu seja outra coisa a não ser médico. Mas é que nunca me senti atraído por medicina. Não quero isso pra minha vida. Me sinto muito mais feliz quando eu danço. No entanto, meu pai disse que se eu quiser fazer dança ele vai esquecer que tem um filho e não vai me ajudar em nada, pessoal e financeiramente. Ele diz que não vai sustentar filho viado e eu não sou homossexual, só gosto de dança. Sou filho único e não queria desapontar meus pais, mas também não quero me desapontar.

            Vejo que você está numa situação que popularmente se diz que está no mato sem cachorro. Tem um desejo para sua vida que não está de acordo com o desejo que seu pai tem para você e ele parece bastante intransigente em mudar de opinião. Você vai ter que aprender a “dançar”, ou seja, vai ter que aprender a encontrar a maneira certa para conseguir mostrar ao seu pai o quanto a dança é parte da sua vida e que ficar sem ela vai lhe fazer infeliz.
            Sei que o que eu lhe digo é difícil de fazer e não sei como você vai conseguir isso, mas sei que deve tentar se seu amor pela dança for tão grande assim como diz. Você não será feliz se não seguir aquilo que mais te encanta.
            Dançar não tem nada a ver com ser homossexual e talvez este seja um ponto muito importante você mostrar ao seu pai. É claro que existem dançarinos homossexuais, bem como médicos homossexuais, mas não é a profissão que define e dita a orientação sexual.
            O preconceito impera na visão do seu pai e vai exigir que você seja bem cuidadoso ao tentar lidar com isso. No filme Billy Elliot (Inglaterra, 2000) conta a estória de um menino de 11 anos que quer trocar o boxe por aulas de balé. Seu pai opõe uma resistência férrea, mas no fim, depois de muitas dores e brigas ele consegue fazer com que seu pai o apóie e alguns anos mais tarde quando Billy estréia um espetáculo o pai vai assisti-lo e se emociona fortemente. Se você decidir que sua vida depende da dança vá em frente e quebre os tabus. Boa sorte.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Afinidades

A afinidade não é forçada. Ela nasce espontânea e para sempre espontânea permanece. Nela as impossibilidades de comunicação não existem já que ela não requer palavras ou lógica para explicá-la. Ela só necessita de sentimentos de aceitação e acolhimento do outro, seja entre casais ou amigos. Não há julgamentos e nem acusações. Simplesmente ela é. 
Aqui vai trecho de um texto bastante inspirador.


AFINIDADES(Ercília Pollice)

Afinidade é um dos poucos sentimentos
que resistem ao tempo e ao depois.
Não importam as impossibilidades,
os adiamentos, a distância, a ausência
Qualquer reencontro retoma a relação,
E num passe de mágica
o diálogo, a conversa, e o afeto,
retomam tudo no exato ponto em que foi interrompido.
Sinto como se a afinidade fosse a vitória
do subjetivo sobre o objetivo,
das coisas permanentes sobre as passageiras,
do essencial sobre o superficial.