sábado, 18 de junho de 2011

Pergunta de Leitora - Sem Amor Próprio


Há algum tempo me relaciono com um homem que acho que não me ama. Estamos juntos há mais de um ano. Tenho 26 e ele é três anos mais velho. Só que ele não me assume como namorada. A família dele nem sabe de mim e os amigos sabem que ele sai comigo, mas só. A gente só se encontra quando não tem nenhum amigo dele por perto. Muitas vezes ele aparece de madrugada na frente da minha casa e me liga para eu sair e ficar com ele no carro. Ele, até hoje, nunca me levou para um motel. Acabamos transando ali mesmo no carro bem rápido. Como posso mudá-lo e fazê-lo gostar mais de mim?

            Creio que para começar você deveria mudar a pergunta com a qual terminou seu email. Em vez de se perguntar como mudá-lo seria melhor você se questionar como você pode mudar para gostar mais de si. A gente não tem controle sobre o que o outro sente, mas temos o controle sobre o que a gente sente. Vale a pena pensar porque você entrou e permaneceu nessa situação.
            Pelo o que você me escreveu esse sujeito não tem interesse nenhum em construir um relacionamento com você. Ele só está interessado em lhe usar. Aliás, ele usa e abusa e nem sequer dá a mínima para os seus sentimentos. Só quer saber de si mesmo. No entanto, e isso é importante ressaltar, ele só consegue fazer isso tudo com você porque você abriu espaço para isso. Se coloca sempre disponível para os desejos dele e também não dá a mínima para si própria. Até mesmo se põe em risco por ficar transando num carro na rua em meio à madrugada.
            Em vez de esperar por uma mudança dele, você deve ir atrás do seu caminho. Deve buscar se conhecer mais para entender porque fica presa a um homem que não lhe respeita e aí parar de se repetir e trocar essa imagem, muito para baixo, que você tem de você por outra que lhe seja melhor. Quando você começar a se amar não vai mais tolerar situações como essa.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Pergunta de Leitora - Acordar


Tem uma coisa que vem me assustando. Eu minto muito. Tudo na minha vida que eu conto é invenção. Sempre conto coisas que nunca aconteceram, mas tudo o que eu invento é para dar mais “emoção” e parecer que tenho uma vida legal. Meus irmãos são professores universitários e tem uma vida boa. Nada me acontece e sou a pessoa mais sem graça do mundo. Me comparo a eles e vejo que realmente nunca fiz nada por mim a não ser mentir. Agora estou viciada na mentira. Algumas pessoas vem percebendo que eu minto e estão se afastando de mim e tirando sarro. O que me acontece?

Por não gostar da sua realidade você cria uma estória cheia de “emoções”. Mas isso é bom para quem escreve um livro, não para quem precisa viver a própria vida. Se apegou tanto à sua ficção que passou a encará-la como sua realidade. No entanto, como diz um ditado popular, viver de vento não enche barriga e hoje você percebe que está de barriga vazia, ou seja, não se sente satisfeita.
Por que diz que sua vida é tão sem graça? Por que você se coloca numa posição tão desvantajosa? E por que você tem que se comparar com seus irmãos? Eles têm a vida deles e você tem a sua e o melhor que você pode fazer é cuidar da sua vida. Pelo que você me escreveu parece que seus irmãos cuidaram da própria vida e você nunca valorizou as suas experiências.
Seria muito bom você procurar ajuda para entender porque investiu mais na ilusão em vez de enfrentar suas questões e passar a viver a vida mais intensamente. Enquanto ficar apegada a mentira você se engana e não abre espaço para realmente buscar realizações. Ninguém precisa criar emoções na própria vida, mas quando você passar a vivê-la de fato as emoções acontecem.
Está na hora de acordar para a vida e deixar de ficar apenas sonhando. O tempo passa e se você não souber usá-lo poderá chegar um momento de grande arrependimento. Use toda a sua criatividade para se exercitar na escrita e passe a encarar a sua vida não como ficção, mas sim como algo muito precioso que exige cuidado e empenho.

sábado, 11 de junho de 2011

Para que serve a psicoterapia?

            “Conhece-te a ti mesmo”. Essa famosa frase inscrita no Oráculo de Delfos na antiga Grécia e usada por muitos sábios continua atual e necessária. A importância de se conhecer é que quem não se conhece fica preso aos impulsos inconscientes e acaba sempre se repetindo. São aqueles indivíduos que nunca mudam; estão sempre acorrentados a hábitos e pessoas que gostariam de se ver livres.
            Quem nunca ouviu falar da história daquela garota bonita e inteligente, mas que só se relaciona com homens sem-vergonhas? Ou daquele rapaz esperto que perde a compostura e a razão quando se embebeda todo fim de semana? E muitos outros casos de pessoas que não conseguem mudar e ficam sempre na mesma e na pior? Na maioria das vezes essas pessoas estão sofrendo e muito. No entanto, continuam a sustentar o mesmo padrão de resposta para a vida: se repetem e se empobrecem.
Todos esses comportamentos têm uma origem que pode ser encontrada na mente. Eles não aparecem do nada. Porém, para poder modificá-los é necessário adentrar a mente e pagar o preço por se conhecer. Não é um processo fácil. Exige paciência e persistência de cada um para vir a conhecer e aceitar suas próprias verdades. O que mais existe são pessoas que procuram se evadir de suas verdades se apegando a racionalizações. Ou seja, em vez de irem em busca do conhecimento de si terminam por falsear a própria vida.
            A questão é que essas pessoas que se enganam continuam a desconhecer a fonte de seus problemas e por isso estes permanecem sempre os mesmos. Aí vem a angústia e o desespero e lamentam terem um carma difícil e pesado. Até acho que essa historia de carma existe mesmo! É o nosso inconsciente que dirige nossas ações e nos torna fantoches dos impulsos.
Para sair desse ciclo de repetições só mesmo usando a mente que, aliás, é o melhor recurso que podemos dispor na vida. A psicoterapia vem para ajudar a mente num trabalho de elaboração. Para questionar por que essas repetições têm sempre que acontecer. Para vislumbrar alternativas de como viver. Para pensar de verdade. Abrem-se possibilidades que antes não haviam sido cogitadas. Tudo isso é permitido pela psicoterapia para aqueles que ousam se aventurar a desbravar um novo continente: o próprio inconsciente. Todo o mundo, em menor ou maior intensidade, está preso à repetição. Só que se o desejo de se ver livre for verdadeiro encontra-se um caminho para a liberdade.

sábado, 4 de junho de 2011

Celebração do Amor


            No dia 12 de junho se comemora o dia dos namorados. Essa data foi escolhida pois antecede o dia de Santo Antonio, conhecido santo casamenteiro. É um dia celebrado pelos casais de namorados e por aqueles que se amam. Na verdade todos os povos, antigos e atuais, têm uma tradição para se comemorar o amor. Muda-se o nome do santo (nos EUA, por exemplo, é São Valentim) ou até mesmo a data, mas o principal que é a celebração do amor está presente.
            Obviamente todos os dias são apropriados para a manifestação do amor, porém muitas vezes devido ao corre-corre dos nossos dias não prestamos atenção em quem amamos ou o que isso tudo representa para nós. Podemos então fazer uma reparação disso no dia dos namorados.
            Creio ser uma data especial para podermos ser gratos pelo amor recebido e dado. Onde há amor há uma troca de afetos e aprendizagens que nos tornam maiores, mais ricos e mais sábios. A alegria por se saber amado e por amar deve realmente ser cantada como um dos maiores tesouros de nossas vidas.
            O namoro é o começo de uma relação entre duas pessoas que ainda estão se conhecendo e que por isso mesmo estão cheios de fantasias e encantos. Não é a toa que esse é um período extremamente romântico e sempre presente nas recordações de muitos casais. Conforme o tempo passa e a realidade se impõe, há a chance de se reformular as fantasias iniciais e viver um relacionamento verdadeiro e mais longo, onde um passa a conhecer e querer a presença do outro. Escolhe-se estar com o outro. Uma das declarações de amor mais bonitas que já ouvi foi a de um ex-padre jesuíta que largou o sacerdócio para viver ao lado de sua amada e disse a ela: Posso muito bem viver sem você. Não preciso de você para estar vivo, mas escolho viver com você, com tudo que isso pode trazer de dificuldades, porém olho acima de tudo para a maior recompensa da minha vida que é eu me permitir lhe amar e ser por você amado.
            Que esse dia seja para os todos os casais, de qualquer idade, reviver esse encantamento inicial que é estar enamorado, poder se conceder fantasias que lhe enriqueçam, renovar os votos de suas uniões e com isso se rejuvenescerem e guardarem dentro de si promessas de um mundo mais doce.